Folias e Ritmias

Ritmos Nativos

São Ritmos bárbaros do Brasil colonial e imperial, dentro da cosmovisão Luso-afro-amerindio que tem como ponto alto a exaltação das danças, bailados, folguedos e ritmos.

Alguns dos Ritmos Nativos que São Apresentados em nossos CD's:

O JONGO

O Jongo é uma espécie de samba-de-roda, dança cantada brasileira de origem africana trazida pelos Nagôs. Muito difundida no recôncavo baiano, sua forma característica é a dança em sentido contrário comum às danças afro-brasileiras. O Jongo mantém a fama para os seus bailadores de possuir poderem mágicos.

O LUNDU

O Lundu é uma dança e canto de origem africana trazida pelos escravos Bantos especialmente de Angola para o Brasil. A Chula, o Fado e o Tango brasileiro devem muito ao Lundu. O Lundu foi a primeira forma de música negra aceita pela sociedade colonial brasileira. O mulato Domingos Caldas Barbosa começou a incendiar Portugal com Lundus e Modinhas no final do século XVIII e teve seus apogeu no primeiro império.

CIRANDA-DE-RODA

Faz parte das pequenas danças que compõem o Cateretê, assim como Tirana, Cana-verde e o Recorte. Usada na Catequese essa dança indígena muito colaborou com Anchieta. Os Indígenas cantavam e dançavam usando textos católicos traduzidos em Tupy. Qual criança brasileira não brincou em uma "Ciranda-de-Roda"? Uma herança deixada pelos caboclinhos cirandeiros. 

CAIAPÓ

O Caiapó ou Tatuía é uma dança indígena, sabe-se que os Tupys eram muito dados a música e a dança. Os Tupinambás e os Tamoios cultivavam as cantigas, improvisos e danças. Havia as flautas sagradas que eram disputadas entre os sexos. Gabriel Soares em seus estudos sobre o Brasil Colônia descreveu: "Entre este gentio os músicos são muito estimados e por onde quer que vão são bem agasalhados, muitos atravessaram já o sertão por entre seus contrários sem lhes fazerem mal." Várias lendas falam sobre o canto, os instrumentos e as danças. O Uakti - a flauta que tem o som do vento, a Pixiuba tocada quando amadurecem os frutos do ingá.  

SAMBA-DE-MACULÊLÉ

Makua=Luta e Lelê=Pau Roliço, Maculêlé foi traduzido pelos escravos Malês da África. Sendo que na África é uma luta e no Brasil uma dança que a princípio foi proibida. Batucadas nos Cacetes e depois com um tacho de coro veio o ritmo, dançando nas senzalas dos engenhos de colônia portuguesa, único local permitido para essa expressão. Entre os Maculelês mais famosos estão Ti-Ajou e João Obá que seguiram sua herança Malê e levaram a are das senzalas para a rua nos carnavais.

CANÇÃO LADAINHA

Canção Ladainha - são tiradas (declamadas), ou cantadas durante os terços, novenas, trios, etc. Sua popularidade está baseada em poderes místicos. Sua impreguinação religiosa é vasta e antiga. São feitas por ocasião de calamidades. Abalando as almas pela inflexão sonora e patética. O dinamismo da sugestão monótona, acabrunhadora e melancólica reduzindo o auditório a um estado apático e doloroso de quietismo, resignação e arrependimento contrito. Falava em seu dicionário de folclore o Senhor Câmara Cascudo.

CALUNDÚ

Era "Moda Cantada" por "Mulheres-Damas" nos cabarés  da cidade da Bahia nos primeiros séculos. Foi vista pelos cronistas como música maldita apesar do europeu tentar branquear  a nossa cultura. O brasileiro er fascinado pelo Calundú, que guardava características africanas e ameríndias mesclada aos cantores ibéricos que lhe garantiu a entrada nos salões  e casas burguesas. Em meados do século XVIII fez estrondoso sucesso na corte de Maria I em Portugal. Muitos autores escreveram o Calundú como é o caso de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional do Brasil.